
Iniciativa prevê treinamento de profissionais e organização de acervo científico para apoiar a identificação das espécies madeireiras mais comercializadas no estado
O órgão responsável por fiscalizar a atividade florestal está participando da construção de uma resposta a um dos desafios do próprio setor: identificar com precisão as espécies de madeira desde o manejo até a comercialização. Em Mato Grosso, o Cipem articula com o Ibama, a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), a Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) um projeto para formar especialistas e estruturar uma coleção de amostras de madeira.
A iniciativa nasce de um problema que começa ainda na floresta. Espécies diferentes podem ter características muito semelhantes e receber o mesmo nome popular no inventário. Se a identificação estiver incorreta, a divergência pode trazer dificuldades ao licenciamento e à comercialização. A questão ganhou peso com as exigências aplicáveis à exploração e à exportação de espécies dos grupos do ipê, cumaru e cedro incluídas na Cites, convenção internacional que regula o comércio de espécies da fauna e da flora.
A proposta também prevê a discussão de procedimentos técnicos para a identificação anatômica e a organização de uma estrutura de referência para apoiar essas atividades. A definição dos critérios de validação das identificações e da atuação de especialistas será importante para assegurar a qualidade dos resultados, especialmente nos casos em que houver necessidade de emissão de laudos técnicos.
Para o Cipem, a participação do Ibama é um aspecto marcante da iniciativa e o setor agora busca construir em conjunto uma solução técnica. A cooperação reúne conhecimento científico, experiência de campo e atuação do poder público para melhorar a identificação da madeira e dar mais segurança ao manejo florestal. Além disso, o projeto reúne a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (SEDEC-MT), Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Associação Mato-grossense dos Engenheiros Florestais (AMEF) e os Sindicatos Empresariais de Base Florestal.
O projeto está em fase de articulação institucional. As próximas etapas incluem a definição das responsabilidades dos parceiros, o planejamento dos treinamentos, a organização do acervo de referência, seleção dos profissionais que participarão da capacitação e o estabelecimento dos procedimentos técnicos necessários para a identificação das espécies. As atividades estão previstas para 2027, conforme o planejamento da iniciativa.
